A economia tem vindo a tornar-se cada vez mais uma temática central no crescimento das sociedades e dos povos; simultaneamente, tornou-se também um problema. O sistema económico actual, de facto, parece incapaz de esbater as crescentes desigualdades de distribuição da riqueza e os esforços no desenvolvimento dos povos encontram barreiras enormes na sua concretização. O lucro é visto como objectivo máximo das decisões económicas numa perspectiva quase exclusivamente financeira, tornando o agir económico, nas sociedades contemporâneas, cada vez mais desumanizado. | | | | O que é a Economia de Comunhão?
|  | O Projecto Economia de Comunhão (EdC) é uma das novas experiências económicas nascidas da sociedade civil. Envolve actualmente cerca de 800 empresas dos cinco continentes, que se comprometem livremente a partilhar os seus lucros, destinando-os a três objectivos: - ajudar os mais pobres, criando novos postos de trabalho, provendo a necessidades básicas, apoiando projectos de desenvolvimento - difundir a "cultura do dar" e da reciprocidade, sem a qual não é possível realizar uma Economia de Comunhão - desenvolver a empresa, que deve ser eficiente e competitiva, embora aberta à solidariedade | | Não se trata, portanto, de empresas sem fins lucrativos, mas de empresas que operam no mercado e que concebem a própria actividade empresarial como um lugar e um instrumento de comunhão, de fraternidade e de justiça social. A inspiração cultural
Os agentes da Economia de Comunhão inspiram-se em princípios radicados numa “cultura do dar”, diferente da que prevalece hoje na prática e na teoria económica. Na EdC o “dar” económico é expressão do “dar-se” no plano existencial. Revela uma concepção antropológica não individualista nem colectivista, mas de comunhão. A “cultura do dar” constitui assim a base de uma nova mentalidade, capaz de reagir ao ímpeto consumista da sociedade actual e transformar as relações sociais e económicas, entre empresários e trabalhadores, clientes e fornecedores, sociedade civil e populações necessitadas, fazendo com que todos se tornem agentes de relações baseadas na “reciprocidade”, em que todos contribuem para o benefício de todos. | | | | A AMU e a Economia de Comunhão
| A articulação entre a AMU e o projecto da Economia de Comunhão fundamenta-se no facto de terem na sua origem o mesmo espírito de unidade e fraternidade. A AMU, enquanto ONG, procura, através dos seus projectos, promover o desenvolvimento de comunidades de países do Sul do mundo, que manifestam enormes carências, a vários níveis. Uma das tarefas das ONG em geral é a canalização de recursos dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento. Através destas organizações tem sido muitas vezes possível reduzir o nível de carências sociais, de educação e de saúde, de crianças e adultos que, de outro modo, dificilmente conseguiriam ter acesso aos financiamentos necessários. No caso específico da AMU, muito para além de se tentar angariar financiamentos e bens materiais e de se mobilizar recursos humanos para a concretização de projectos, procuramos, antes de mais, que tudo seja orientado para a promoção de uma verdadeira cultura de solidariedade entre povos, raças e culturas diferentes. Na nossa perspectiva, esta solidariedade deve ser expressão da fraternidade universal que, em colaboração com muitas outras forças presentes no tecido social, gostaríamos que se instaurasse cada vez mais entre todos os povos do planeta. Encontra-se assim nos nossos horizontes uma mais estreita interacção entre o projecto da Economia de Comunhão e a AMU, pela existência de um amplo espaço para se trabalhar em conjunto e para se desenvolver métodos de trabalho comuns, no sentido de se poder oferecer também um exemplo credível de como o mundo empresarial e a sociedade civil podem colaborar para a erradicação da pobreza e a construção de uma visão diferente da vida económica. |
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Actualizado em ( Segunda, 20 Outubro 2008 17:06 )
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